10/29/2016

Poética do negativo

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 Como esse acontecimento singular e efêmero que é o aparecimento de uma imagem poética singular pode reagir – sem nenhuma preparação – em outras almas, em outros corações. Gaston Bachelard

Poética do negativo nasce de um processo de revisitação do fotógrafo ao seu acervo pessoal. Trabalhando hoje em dia basicamente no sistema digital, Paulo Rossi revê o material produzido (entre os anos de 2002 e 2006) em película e lhe dá um novo destino. O ensaio surge, dessa forma, ressignificado. Em seu início tratava-se de um registro das salas de cinemas paulistanas, seu público, sua realidade. Hoje ele ressurge como uma homenagem à fotografia analógica. As pranchas de contato, as anotações dos ajustes manuais, ganham um espaço antes inimaginável. Aqui registro e homenagem se misturam e provocam a reflexão sobre “velhas” práticas e sua inextricável relação com a atualidade.

De certa forma, Poética do negativo é a reapropriação de um modo de produção fotográfica do passado recente num período no qual os modos de produção e recepção da arte se modificaram. Este projeto ressurge nesta exposição imbuído de uma consciência do tempo presente, e em compasso com a diversidade da fotografia contemporânea. Poética do negativo narra a reinvenção das formas de ação do fotógrafo sobre sua obra, na esperança de que sua poética possa reagir em outras almas, em outros corações.